Textos

  • Data: 28/12/2010
  • Título: Celebrando o Natal
  • Autor(a): Erica Brandt, psicóloga e terapeuta
  • gravida

    O mundo inteiro se prepara para comemorar o Natal, a data cristã mais comemorada em todas as nações. No Brasil essa data vem após a primavera, estação em que nos encantamos com o desabrochar das flores, seguida pelo verão em que o sol irradia sua luz por mais horas e os dias são mais longos. É como se natureza se preparasse, nesta época, para o nascimento de Cristo em nosso coração, a vida, a luz e o calor do amor em nosso jardim interior.

    Diante de tantos apelos consumistas é preciso um tempo de silencio para nos reconciliarmos com tudo e com todos que fizeram parte de nossas experiências ao longo do ano, permitindo-nos viver algo muito especial em nosso coração, em nossa alma. Nesse apaziguamento da mente temos a oportunidade de compreender as preciosas riquezas internas que acessamos através dos desafios vividos; percebemos que não somos mais os mesmos, que realmente estamos nascendo em consciência, mais em contato com nossa essência.

    Para que o Cristo nasça em cada alma como princípio de luz e amor divino é imprescindível recriarmos a atmosfera sagrada presente na sua origem religiosa. Deus se fez pessoa humana e veio morar em nossa casa, em nossa dimensão física, psíquica e espiritual e isso é para ser celebrado com festa e alegria numa reunião festiva com familiares e amigos.

    Na tradição iniciática, segundo Omraam Mikhaël Aïvanhov, a manjedoura que acolhe o Menino Jesus simboliza o ventre. É no ventre, nas entranhas, que a consciência crística se perpetua na humanidade, onde se faz nascer em si a nova consciência: o Menino Cristo. Esta região de nosso corpo é a das nossas águas, na mulher é onde são gerados os filhos e na humanidade é onde se gera a nova consciência a partir dos confortos e desconfortos vividos em cada experiência.

    O estábulo, com a manjedoura, é o símbolo da pobreza, da dificuldade das condições exteriores. No estábulo havia apenas um boi, símbolo da fertilidade e fecundidade. O burro representa a personalidade humana, o velho homem, teimoso, obstinado, mas bom servidor. Ambos os animais estavam presentes, aquecendo o Menino com seu bafo, significando que quando o iniciado consegue transmutar em si esses animais, sabe que essas forças não existem para atormentar, mas se tornam vivificadoras.

    Na estrela de cinco pontas temos a representação da luz que é projetada acima da manjedoura. Uma realidade absoluta que brilha acima dos iniciados, cujo princípio feminino, isto é, a alma e o coração, deram à luz o Menino Jesus concebido pelo Espírito Santo. Essa estrela revela que o pentagrama tem que existir duplamente, o próprio homem é um pentagrama vivo. No plano sutil, quando ele tiver desenvolvido as cinco virtudes: bondade, justiça, amor, sabedoria e verdade, se apresentará um outro pentagrama que o representa sob a forma de luz. Essa estrela que brilha por cima do estábulo significa que de cada iniciado que possui o Cristo vivo sai uma luz que acalma, alimenta, conforta, cura, purifica, vivifica.

    Nas duas cores predominantes nos enfeites de Natal, o vermelho e o branco, são representados os dois princípios da base da existência: o vermelho, o sangue, a força vital do princípio feminino e o branco a pureza, a luz do princípio masculino. Para que ocorra o nascimento do Menino Jesus em nosso coração é preciso haver um pai - o intelecto - e uma mãe - o coração - a alma. Quando o coração e a alma estão purificados, a criança nasce; mas ela não nasce do intelecto e do espírito, nasce da Alma universal, que não é senão o Espírito Santo sob a forma de fogo, de amor divino, uma chama pura que vem fecundar a alma e o coração do ser humano.

    Na virgindade de Maria, somos convidados a desenvolver uma qualidade mais espiritual do que física, pois a concepção não foi maculada por nenhum desejo, paixão ou sensualidade, mas um corpo que pudesse ser condutor do Espírito Santo, que tivesse uma correspondência entre os planos físico, espiritual e divino possibilitando que tudo fosse luminoso e puro.

    A criança divina quando nasce em nossa consciência, traz a paz e a plenitude na alma do homem em que ela nasceu. Ela, junto com Maria e José, formam a sagrada família, símbolos da vida interior em que o intelecto respeita e protege a alma, formando o triângulo sobre o qual se inicia a nova construção. Toda criança ao nascer recebe visitas e presentes e assim foi com o Menino Jesus. Ele recebeu a visita dos três reis magos que lhe presentearam com ouro, incenso e mirra, os quais encerram importantes significados por terem ligação com os domínios do pensamento, do sentimento e do corpo físico. O ouro significava a cor da sabedoria, cujo brilho cintila acima da cabeça dos iniciados. O incenso dizia que Ele era sacerdote, representando a religião, o coração, o amor. A mirra, símbolo da imortalidade.

    Por fim, o símbolo do anjo que apareceu aos pastores que ficaram maravilhados com o anúncio do nascimento de Jesus e levaram cordeiros para lhe oferecer. Estes representam toda a humanidade, em especial os pobres e humildes, que participam deste nascimento crístico ao desenvolverem as riquezas do coração.

    Neste dia de Natal celebremos a alegria da união do céu e da terra em nosso coração. Olhemos nos olhos de nossos familiares e amigos, de todos os que estiverem nesta festividade conosco e vamos reverenciar nossa humanidade que renasce mais divina. Vejamos em cada um o Menino Jesus sorrindo com toda a sua jovialidade e transmitindo seu amor para todos nós, amor para ser cuidado e partilhado.

    Neste Natal e em todos os dias do Ano Novo

    LUZ - AMOR – VIDA - GRATIDÃO

    Imagem:  http://www.sxc.hu/