Textos

  • Data: 9/10/2010
  • Título: Arte de Amar dos Novos Tempos
  • Autor(a): Erica Brandt, psicóloga e terapeuta
  • beijo

    Revista Noivas E Festas / Edição n° 27 / Setembro 2010, pg. 186
    Editora Quadrivium

    Comportamento
    Por Erica Brandt

    Arte de Amar dos Novos Tempos

    O amor é eterno, a forma como é vivenciado está vinculada ao estado de consciência dominante em cada período de nossa cultura. No início do cristianismo, Cristianismo Primitivo, antes de um casamento os casais viviam juntos para experienciar e, assim, amadurecer a relação diante dos desafios da adaptação de duas alteralidades, uma prática comum no mundo contemporâneo.

    Quando tomavam consciência de que entre eles havia um amor espiritual, um amor que era mais que a química que atraiu ambos à relação carnal, havendo desenvolvido também ternura, atenção, respeito, aceitação das diferenças e aprofundado o valor da amizade que auxilia a superar os obstáculos, ambos comunicavam à comunidade a decisão de se unirem perante uma benção religiosa. Durante a celebração no templo da localidade, os dois se coroavam diante do celebrante e da comunidade reunida que os abençoava, selando uma aliança enquanto o amor se mantivesse vivo entre ambos.

    Naquele período não havia divórcio, quando aquela qualidade de amor não estava mais presente entre os dois, comunicavam à comunidade que o vínculo se encerrava e cada qual seguia seu caminho. Como o amor é eterno e as relações vistas como temporais, quando ambos ou um deles reiniciasse uma nova experiência de vida com um novo par, novamente podiam solicitar a benção de Deus através de seu representante na Terra.

    Para a celebração de um casamento, os próprios noivos confeccionavam as coroas e eram de flores, que representam a VIDA que precisa ser nutrida na relação através das gentilezas, da compreensão das diferenças, do amor como estado consciencial em que somos duas pessoas únicas aprendendo a criar o espaço de nosso encontro existencial. Não somos um único ser, mas três pessoas: “eu” - “você” - “nós”.

    Essa é a relação que percebo estar sendo construída nas novas uniões, nestes novos tempos em que aprendemos que estar só nos dá a liberdade de voar e, em dado momento, percebemos a tristeza que se revela por não termos com quem partilhar nosso canto.

    O sentido sagrado do casamento é desenvolver a consciência do Amor que somos. Nascemos tendo em nosso coração a divina Presença e para torná-la viva, precisamos do outro. Esse outro olhar, essa outra escuta, essenciais para o desenvolvimento da capacidade de amar com consciência e lucidez.

    Os novos tempos, portanto, requerem a prática dessa qualidade de amor na qual aprendemos a ver o outro como realmente é e não como queríamos que fosse, uma extensão de nós mesmos. Este amor reducionista em que percebo o outro como uma extensão de meus atos, meus pensamentos, meus sentimentos e tradição espiritual é uma relação em que o jardim compartilhado pode ser representado por dois canteiros de flores: “mal-me-quer” e “bem-me-quer”, onde sou amado ao satisfazer os anseios do outro.

    Imagem:  http://www.sxc.hu/