Textos

  • Data: 08/08/2010
  • Título: A bem aventurança de um pai
  • Autor(a): Freddy Poetscher
  • Este dia dos pais será um pouco diferente para mim e meus

    filhos. Recentemente, meu pai faleceu e, logo em seguida, entrei num

    processo de separação conjugal após 12 anos de casado. Tenho dois

    filhos meninos. O mais novo tem um ano e meio. O outro, quase sete

    anos de idade. 

    Minha separação ocorreu durante a copa de 2010 da África do

    Sul, e não pude deixar de comparar os sentimentos de frustração,

    perda, fracasso e solidão com o jogo da final do campeonato mundial.

    Eram dois times que estavam jogando, sendo que os dois já eram os

    dois melhores times mundiais, o que por sí já seria um belo

    resultado. Porém, somente um saiu de campo campeão O outro time,

    com um amargurado segundo lugar. A conquista do segundo lugar –

    o segundo melhor time do mundo! – teve um efeito nos jogadores

    muito parecido com a minha sensação de perda e fracasso em

    relação aos meus filhos. 

    Nós, pais, queremos ser sempre o melhor para os filhos, e

    imaginamos que um segundo lugar não existe, seria desleixo

    próprio. Procuramos nos superar sempre na nossa jornada de

    herói. E não imaginamos que esta busca pela superação possa

    ofuscar o nosso caminho da bem-aventurança. Descobrimos

    assim, já distantes de nosso caminho, que temos limites e

    precisamos ter discernimento para aceitar o que não podemos

    mudar e ter coragem para mudar o que é necessário. O

    discernimento faz parte da bem-aventurança, e se não o tens,

    teu comportamento será caótico e vazio. 

    A bem-aventurança é bem descrita por Joseph Campbell, e caso

    você leitor se interesse, procure na internet que irá encontrar

    diversas referências. 

    Você deve estar imaginando o que a bem-aventurança tem haver

    com o segundo lugar na copa. O segundo lugar é uma conquista,

    houve um caminho até ele, e é o caminho que importa. Meus filhos

    não se importariam se eu conquistasse o primeiro ou o segundo

    lugar, com certeza ficariam igualmente orgulhosos de mim. Os filhos

    tem um vínculo único com os pais, somos uma unidade. Assim,

    seguir o chamado para a bem-aventurança é estar em um caminho

    de plenitude e felicidade que com certeza será compartilhado com os

    filhos. 

    Infelizmente ou felizmente, devido a variados fatores que não

    tive controle, meu caminho para a bem-aventurança passou pela

    separação de minha esposa. A sensação de perda dos meus filhos foi

    muito forte, afinal, não iria mais ver em todas as manhãs as carinhas

    de sono e a bagunça na cama dos pais. Realmente faz falta, mas para

    poder oferecer uma felicidade maior a eles, e nessa situação o

    significado da bem-aventurança é máximo, preciso seguir o meu

    caminho. Nesse caminho continuam juntos os meus filhos, que de

    mim são inseparáveis emocionalmente. 

    Neste mês de agosto, no Dia dos Pais, iniciei a reforma de nossa

    antiga casa, para ser o lar deles quando estiverem ao meu lado. Não

    posso decidir o tempo que meus filhos irão passar comigo, porém

    posso fazer com que esse tempo seja o melhor. A qualidade `melhor`

    não passa necessariamente por shoppings, brinquedos e lanchonetes

    e, sim, necessariamente por orientação a eles de como construir a

    sua bem-aventurança e identificarem seu caminho próprio. 

    Tenho uma frase que me acompanha: 

    “Que eu queira o que Deus quer que eu queira.” 

    Acho que se pudermos ensinar a prática dessa frase aos nossos filhos

    teremos cumprido grande parte do papel de pai. 

    Feliz dia, feliz mês dos Pais.

    *Freddy Poetscher, PhD

    Engenheiro Metalurgista

    Testmat Engenharia Industrial

    http://www.testmat.com.br