Textos

  • Data: 02/07/2011
  • Título: Pai Presente
  • Autor(a): Freddy Poetscher, PhD, pai*
  • Após a minha separação em 2010, determinei alguns objetivos. Entre eles, estava

    aumentar a presença com os meus filhos.

    A separação afastou fisicamente os meus dois filhos, e essa distância me comovia toda

    vez que eles retornavam para a mãe e eu tinha que esperar outros 15 dias para revê-los.

    Parte dessa carga emocional foi resultante da própria definição de família que eu estava

    revendo sem perceber.

    Foi muito difícil abrir mão da presença física, mas entendê-la me ajudou em todo

    processo.

    A distância física não implica em um vínculo fraco com o pai. Existem pais que

    convivem com os seus filhos todos os dias e não vivenciam eles. Creio que a palavra

    vivenciar tem o sentido perfeito nesse caso.

    Tenho pouco tempo com meus filhos, porém estando com eles sou totalmente aberto aos

    desejos, opiniões, sorrisos e broncas (eles são muito críticos!). Procuro senti-los de

    todas as formas possíveis, escutá-los e respeitá-los compreendendo sempre essa nova

    forma de família.

    Substituí, com o tempo, o objetivo de estar presente pelo objetivo de fazê-los felizes, o

    que fez a minha presença na educação e na criação deles aumentar. Lutar e defender os

    interesses deles foram ações fundamentais para que nós três pudéssemos conseguir

    superar o acontecimento da separação.

    Os interesses deles são demonstrados às vezes de forma muito sutil, porém quando

    atendidos os tornam muito felizes e impactam positivamente na sua auto-estima, que

    nem sempre fica preservada após a separação. Por exemplo, lembro de meu filho mais

    velho indo emburrado para o colégio em uma manhã de segunda-feira. Com muito jeito

    e insistência, consegui que ele me falasse o motivo: “gostaria que a minha mãe me

    buscasse pelo menos uma vez no colégio após a aula (ele voltava todos os dias de

    perua),como a mãe de meus amiguinhos”, disse. Isso, colocado, me permitiu ligar

    imediatamente para a mãe. Acordamos que ela iria buscá-lo, passei o telefone para o

    meu filho e dei suporte para ele pedir o mesmo à mãe dele. Resultado: negócio fechado

    e filho feliz!

    Na outra semana que ele veio passar comigo conversamos sobre outros diversos temas e

    desejos. Foi como achar o início de uma trilha. Dessa forma percebi algo valioso: a

    felicidade não está no objetivo e sim no caminho.

    Procuro ter um hobby em comum com cada um deles. Com o mais velho desvendo

    junto as fases dos jogos de vídeogame, mesmo na sua ausência, e montamos

    aeromodelos e legos juntos. Com o mais novo, vejo com ele os seus filmes prediletos e

    brinco com ele ao ar livre com diversos temas. Esses hobbies ajudam a nos integrar e,

    depois que comecei com eles, novas idéias sempre surgem, conforme a nossa

    necessidade própria de vivência, como a horta que fizemos em casa.

    Já faz quase um ano e meio que me separei e, quando casado, pelas próprias amarras da

    minha relação existentes na época, não conseguia ser um pai tão presente como sou

    hoje. E nem tão feliz.

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