Poesias

  • Data: 15/04/2010
  • Título: No Deserto...
  • Autor(a): Erica Brandt
  • Entrego meu corpo ao solo árido
    Esse corpo que nasceu imaculado
    Que foi ferido e marcado
    Pelas sentenças de "culpado"
    Pagando tributo à sociedade adoecida

    Entrego meu corpo ao deserto
    Onde finalmente desnudo
    Exponho as vergonhas
    Liberto-me das sombras
    Das tarjas opressoras
    Das reprovações

    Apesar de todas as marcas
    Dou graças que em meu corpo sofrido
    Os olhos se mantém vivos
    Fixos no horizonte
    Em busca da Sagrada Fonte

    Redescubro sonhos
    Vontades dalma
    Cada qual enterrada
    Asfixiada e abafada
    Como um fino veio dágua
    Oprimido entre rochas
    Seguindo confiante
    Em seu tênue fluxo
    Em direção ao oceano

    Entrego-me à impermanência
    Vivendo a experiência presente
    Em cada ciclo mutável
    E tudo em meu ser morre
    Tudo em meu ser renasce
    E no meio de cada ciclo
    O espaço vazio
    A pura consciência

    Em profundo silêncio
    Ajoelho-me e o solo afago
    Pedindo a ti Amada Mãe
    Que me acolhas
    Que me aconchegues
    Que novamente me guies
    A sentir os belos aromas das flores
    Para que acima do jasmim e do sândalo
    Eu inspire o especial aroma
    De Vossa divina Presença

    Aqueça-me com os raios do Sol
    Nutra-me com o leite da Vida
    Para que em meu corpo de argila
    Sat-chit-ananda
    Volte a pulsar
    O Todo - um ser sem limite
    A consciência pura
    A perfeita bem-aventurança