Ser humano na
conexão com o divino
Encontro com Deus
Caminhei em direção ao Santuário, ao
templo onde costumo me encontrar com minha mestra interior. Aguardava
ansioso por mais um encontro. Conforme fui chegando, ouvi o habitual:
- Pode ir entrando.
- Olá, como estás? – perguntei
cumprimentando.
- Tudo ótimo, hoje vamos fazer algo diferente! Vamos
lá para os fundos...
Atrás do Santuário havia um grande gramado, com
jardins lindamente decorados em toda a sua volta. Mas hoje, bem no meio
da grama, estava lá um enorme balão cor de
laranja erguido, pronto para partir!
- Me ajude aqui, vamos levar estas cestas conosco no passeio!
– fui solicitado.
Fiquei contagiado com a idéia da aventura. Não
pensei no medo ou perigo, afinal, estava acompanhado da minha mestra
interior!
Subimos rápido no balão. O tempo estava
ótimo, um limpo céu azul. Com habilidade e uma
naturalidade impressionante, minha mestra começou a operar a
subida e logo eu via lá em baixo o Santuário
ficando pequeno. As árvores, os campos, as fazendas, tudo
foi mudando de dimensão, ganhando outra perspectiva.
Depois de algum tempo de vôo, comentei:
- Como é lindo aqui de cima. Parece que tudo se encaixa mais
fácil, que tudo está se movendo mais lentamente.
- Podemos ver dessa maneira em qualquer nível. –
ela respondeu – Olhe vamos descer naquele descampado.
Aterrisamos em poucos minutos e logo descarregamos as cestas.
Não fiquei surpreso com o conteúdo delas.
Já imaginava um delicioso picnic preparado pela mestra. Como
sempre, havia ameixas, uvas, bananas, sementes e cereais.
Enquanto comia um saboroso sandwich de queijo, perguntei:
- Mestra, é possível se encontrar com Deus?
- Sim, é possível.
- E onde encontramos ele?
- Por toda a parte. Talvez agora mesmo você esteja diante
dele, não é mesmo?
- Como assim?
- Somos todos uma parte de Deus. Teus encontros, teus relacionamentos,
são a tua oportunidade de se encontrar com ele, da maneira
que melhor te convém naquele momento.
- Não, mas eu quis dizer, realmente se encontrar com Deus,
Ele em pessoa. Isso é possível?
- Também é possível. Ele é
um de nós. Está entre a gente, tentando voltar
para casa. Nos ajudando, aparecendo para quem já pode
compreende-lo.
- E se eu perguntasse sobre o Plano Divino, será que Ele
poderia me contar?
- Provavelmente não. Ele não gostaria de tirar o
prazer da tua descoberta. Afinal, o que seria viver sem o desafio de
entender as pessoas, os relacionamentos, o mundo em si. Mas ele poderia
te dar pistas. Te diria para estar atento aos detalhes, mas
também saber enxergar o
“grande-quadro”.Te recomendaria fazer contato,
estar com as pessoas, ajudar, ser sensível, compreender.
Tudo de um jeito especial, é claro.
- Assim como a senhora explica as coisas para mim? Dessa maneira
especial...
- Assim como nós dois nos relacionamos! Somos especiais um
para o outro. Um encontro divino a cada instante.
Passamos ainda algum tempo conversando e comendo no meio da natureza e
depois voamos novamente em nosso lindo balão de ar quente.
Contemplando o céu e a terra. Tudo era lindo. Tudo era
absoluto.
Me lembrei de um ditado Zen que diz:
- Quando saimos numa jornada, os rios deixam de ser rios e as montanhas
deixam de ser montanhas. Quando a jornada termina, os rios voltam a ser
rios e as montanhas voltam a ser montanhas.
Rogério |
Superando limites e
percorrendo novos horizontes
“It is by
riding a bicycle that you learn the contours of a country best, since
you have
to sweat up the hills and coast down them.
Thus you remember them as they actually are,
while in a motor car only a
high hill impresses you, and you have no such accurate remembrance of
country
you have driven through as you gain by riding a bicycle.”,
Ernest Hemingway
Bicicleta! Bike, Magrela,
Camelo. Zica, em Santa Catarina.
Kalanga, em Rondônia. Vários nomes para a mesma
atividade: PEDALAR! Existem
também vários modelos deste equipamento, como por
exemplo, cicloturismo,
mountainbike, velocidade, tandem, entre outros. Praticamente,
após 200 anos de
invenção ainda nos maravilhamos com a
sensação de andar livre de bicicleta por
estradas, caminhos, ou trilhas. Nossas crianças aprendem
desde cedo este
esporte, e é praticamente um símbolo de
inclusão social saber pedalar 'sem
rodinhas'. O fascínio pela independência de poder
ir e voltar de lugares
distantes sem ter que depender dos pais, a velocidade, o vento na cara,
o 'cavalo
de pau' são outros atrativos que nos seduzem quando
começamos nossa vida.
Recentemente, organizei
com vários amigos uma 'pedalada' na
Europa de 600km. Decidimos fazer a Via Cláudia, antiga rota
dos Romanos, entre
o sul da Alemanha e Veneza. Apesar de toda técnica de
navegação que aprendi,
tipo de terreno, leis de trânsito de todos os
países que vivenciei, a sensação
de pedalar por todos os países é a maior
lembrança que tenho desta viagem. Me
lembro por exemplo, da chegada numa praça no norte da
Itália, pela manhã, onde
paramos para tomar um cappuccino. Me lembro do movimento, do piso, do
carrinho
propaganda do teatro infantil da praça com a figura
'autêntica' de um Pinochio
italiano. O carrilhão da igreja e os passáros, e
claro o típico serviço italiano!
Poderia ainda precisar os sons escutados, aromas e temperatura. Creio
que esta
experiência plena de conhecer algum lugar só
é possível, de fato por bicicleta,
como Hemingway já havia descrito. Já fiz
várias trilhas a pé, porém a
intensidade de exposição a coisas novas
é muito maior num passeio de bicicleta
do que andando. Creio que por isto o cicloturismo é
tão difundido na Europa,
algo que eu não conhecia.
Andar de bicleta
não tem somente este lado poético
saudável,
como também melhora nosso condicionamento físico
enquanto praticamos o 'pedal'.
Para esta viagem me preparei muito pouco e meu condicionamento melhorou
muito
durante a própria viagem. Se você pedala sempre no
teu rítimo, a pedalada
desenvolve lentamente teu físico, podendo assim atravessar
vários quilometros
sem muitas dificuldades – tirando é claro a falta
de costume de ficar sentado
na bike por mais de 4h/dia, pois assaduras ocorrem.
Quando comecei a trilha,
após o primeiro dia de 85km 'leves'
no plano do sul da Alemanha, não tinha muita certeza de como
iría chegar no fim
da viagem. É um marco na minha vida ter pedalado esta
distância e com certeza
me superei em vários aspectos para chegar até o
final. A exposição a tantas
coisas novas pelo caminho, a superação
física e emocional, que foi conquistada
dia a dia, no realizar desta viagem traziam ótimas noites de
sono. Claro o
vinho também ajudava! Estas noites de sono eram recheadas de
sonhos muito
intensos, algo que sempre me ocorre quando estou em trilhas longas e
com
esforços físicos. A análise destes
sonhos é um capítulo gostoso a parte desta
viagem que deixo para minha terapeuta desvendar, mas os resultados na
minha
autoestima e 'centralização' pessoal com certeza
foram muito bons!
A bicicleta pratica estes
lados sociais, emocionais e físicos
de uma forma elegante e única, sem prejudicar ou extenuar o
condutor e com o
valor econômico de transportá-lo geograficamente.
Hoje, enquanto escrevo
este artigo, São Paulo teve a tarde
de calor mais intensa dos últimos 4 anos, seguida de
tempestade e um trânsito
igualmente recorde, infelizmente em mais de 130km de
lentidão. Com certeza
parte deste trânsito poderia ser reduzido por
várias alternativas técnicas e
logísticas, porém conhecemos uma desde a nossa
infância. E porque aqui no
Brasil não a adotamos? Dizem qua as perguntas corretas
trazem a mudança. Assim,
deixo esta pergunta para você leitor, respondê-la!
Ah e faça como Einstein: “I
thought of that while riding my bicycle.”
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Passeios no Brasil:
Atibainha
(bicicletas
na sombra) ;
Pinhal
(pedalando na
estrada de terra) . |
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Freddy
Poetscher, PhD
Engenheiro Metalurgista
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