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......... Do Amor e dos Enamorados .........
Por Túlio Antônio de Amorim Carvalho, Engenheiro Agrônomo e apaixonado

A sociedade contemporânia estabelece no seu calendário comemorações especiais, tais como, o dia dos namorados. Essas datas apresentam-se em nossa frente, através de grande apelo comercial que se estabelece nos meios de comunicação, TV, Rádio, Jornal, Internet, nas vitrinas das lojas, painéis, correspondências, folhetos, enfim, invadem todo o nosso mundo físico, impregnando o ar que respiramos, nos impelindo a ser mais um indivíduo a consumir e a “expressar o seu amor” através de um presente, de uma mensagem ou de um encontro. O sistema capitalista, através de uma eficiente engrenagem comercial, nos induz a concretizar o sentimento a “um ente amado”, por intermédio de um presente. Quanto maior e mais caro, maior é o sentimento e a demosntração de amor. Essa dicotomia entre o amor e o consumo está bem presente e viva em todos os tipos de eventos sociais e comemorações, através da materialização financeira do “afeto”.

Levei sessenta anos para conseguir entender o amor. Só depois que foram arrombadas as pesadas portas que impediam o acesso ao meu coração e ofuscavam minha visão, é que se fez a luz.

Antes de manifestar meu entendimento sobre esses temas, faz-se necessário explicitar melhor sobre a conjuntura na qual se fundamentaram essas teses. Para tanto, começo fazendo uma confissão: Levei sessenta anos para conseguir entender o amor. Só depois que foram arrombadas as pesadas portas que impediam o acesso ao meu coração e ofuscavam minha visão, é que se fez a luz. Com a sinceridade da criança que redescobri dentro de mim e a maturidade de um homem que completou seis décadas de vida, confesso que só agora vim a entender a importância do amor para a nossa vida. É com uma intensa dor no peito que percebo quanto tempo perdi na vida por causa de uma cegueira e surdez induzidas pelo sistema social no qual nos estruturamos. Felizmente, questões conjunturais pessoais, entre elas, dizem, a “Idade da Verdade”, me fizeram abrir os olhos, enxergar, ouvir e a escutar. Como num passe de mágica, meu coração extravasou sentimentos, meus olhos viraram uma cachoeira de lágrimas, que a todo o momento buscam compensar o represamento daquele tempo. Confesso, não enxerguei porque não queria enxergar. Não escutei, porque não me convinha escutar. Com dor no coração e um profundo arrependimento, confesso que só agora eu percebi como fui egoísta e insensível com minha esposa, a qual sempre soube me dedicar seu amor, seu carinho, seu companheirismo e sua amizade. Não fui capaz de entender e retribuir essa declaração de amor. Uma carapaça construída pelas concepções sociais, contamidada pela cultura machista, impedia que o ser humano que ali se escondia deixasse brotar toda a sensibilidade, o carinho e o amor que existia. Esse indivíduo, formatado pelo modelo social, onde o homem tem que ser forte, corajoso, inteligente, ambicioso, competente e vitorioso, e não pode chorar, sofreu e fez sofrer quem o rodeava, lhe dava amor e carinho. Achava que tudo sabia e tudo podia, na verdade nunca soube nada e nunca conseguiu realizar nada além do que estava “projetado” para fazer. Foi um cético que se machucava, machucando aqueles que amava e me amavam. Hoje, ele chora a dor dessa verdade.

Felizmente, ao atingir a dita “idade da verdade”, assim como a lagarta rompe do casulo e parte para uma nova fase da vida, retirou a armadura, libertou sua alma, deixou seus sentimentos falarem, perdeu o medo e permitiu renascer da profundeza do seu coração toda a sensibilidade, o amor e sentimentos que estavam asfixiados dentro da fachada de “Super Homem” que recebeu como herança social.

Permito-me fazer essas manifestações iniciais, pois as considero necessárias para melhor entendimento do que é proposto para o debate: O Amor como ingrediente mágico para a vida. Dentro dessa premissa, passa a ser uma questão fundamental procurar resposta para uma questão básica: O que é o amor?

Essa pergunta produz intensos debates filosóficos, sociológicos, teológicos e na área da psicologia. Para um Engenheiro Agrônomo, servidor público que dedicou 37 anos de sua vida profissional, na busca da qualidade de vida e do bem estar social, com certeza é muito complicado e difícil essa abordagem. Com certeza esse profissional não é o mais qualificado e indicado para elaborar teses e qualificar essa questão em pauta. Mas, por outro lado, o homem que começou a abrir seu peito e a escancarar os seus sentimentos, se candidata, sim, a enfrentar e a instrumentalizar essa análise. O “currículo de vida” desse indivíduo contém uma bagagem excepcional de “descobertas” que o habilitam para tal tarefa, entre elas, da maneira mais dolorosa possível, o quanto foi egoísta em nunca perguntar para sua esposa se ela era feliz. Tão importante quanto o que foi apresentado até agora do currículo desse “ser humano” é o fato dele ter conseguido renascer da dor e do sofrimento através da descoberta do amor, e, com coragem, abrir seu coração.

Dito isso, para iniciar a abordagem do tema amor, é necessário deixar claro que isso não vai ser feito através de conceituações acadêmicas, mas sim trabalhar o entendimento empírico, oriundo do coração, o que não poderia ser diferente. Começo afirmando convicção de que Amar é muito mais que um simples sentimento; Amar é principalmente ter atitudes. Vamos lá, vou tentar explicar essa afirmação com alguns exemplos clássicos do dia a dia. É muito simples e fácil uma pessoa manifestar seu amor (ou sentimento!) por alguém ou por algo. Ouvimos com muita frequência as pessoas dizerem: “Eu amo aquela roupa! Eu amo ir à praia! Eu amo aquele artista! Eu amo aquela pessoa”. Para alguns, também não é difícil dizer “Eu te amo”. Necessariamente, essas manifestações não têm muita relação com o amor. Essas declarações estão fortemente contaminadas com o modelo de comportamento social, onde se consome até “sentimentos” difusos, carregados de modelos preestabelecidos, complexos nos seus objetivos ocultos e de difícil compreensão. Voltamos, então, à questão que, estruturalmente, é fundamental para o entendimento do amor, a atitude. É necessário destacar, também, um parâmetro importante: “Amor que ama para valer, ama porque ama, nunca espera nada em troca; eis a razão de sua força!”(Ricardo Sá - Canção Nova). Essa é uma atitude esperada de quem ama, pois não é na busca de uma recompensa, de uma compensação. O amor verdadeiro não se dissipa na dificuldade; não desiste facilmente e nem é interesseiro e oportunista. Essa “verdade” me transpareceu em um momento em que estava fragilizado, impotente para entender minha existência, com uma enorme tristeza no coração pela percepção do que tinha transformado minha vida. Olhava para trás e não via nada que valesse a pena ver. Nem pegadas enxergava. Possivelmente a “maré” do tempo apagou tudo! Nesse momento precioso, uma mensagem da minha esposa fez a diferença. Dizia assim: “Te amo muito, amo porque amo, porque sempre foste tu o amor da minha vida! Um beijo daquela que te ama e sempre te amou na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza (espiritual e material), gratuita e desinteressadamente, com o coração cheio de medo e tristeza ou bem leve e feliz!” Essa é uma atitude de amor. Esse é o embasamento da minha tese que, no amor, o mais importante são as atitudes. Coisas simples, tão simples que parecem insignificantes, mas não são, tais como passear de mãos dadas, olhar as flores desabrochando no jardim, curtir o beija-flor faceiro voando de flor em flor, fazer um agrado, um carinho, uma refeição gostosa, conversar sobre banalidades, dizer o que sente; entender o que não foi dito; perceber quando a pessoa amada está triste; ter sensibilidade nos momentos difíceis; se interessar e perguntar: Como vais? Do que tu gostas mais? Por que estás triste? Tu és feliz? Isso, na minha nova visão, é atitude de quem ama.

Poderíamos ficar descrevendo inúmeras formas de atitudes que se constituem na manifestação do amor. Cada indivíduo tem no seu modo de demonstrar, toda uma história e modelos de vida que herdou. As mulheres, mais sensíveis e receptivas, são mais competentes em ter atitudes no amor. Já os homens, mais “racionais” têm mais dificuldade de liberar sua sensibilidade, seu carinho, de manifestar seu amor. Mas, com certeza, o que faz a diferença são as atitudes, que, por mais simples e singelas pareçam, são formas contundentes de manifestação do amor. Com certeza, alguns companheiros de gênero, ficarão atônitos e incrédulos com minha tese, porém, as parceiras do gênero feminino entenderão perfeitamente minhas premissas.

Outro ponto apresentado ao início desta “dissertação” é o Amor como ingrediente mágico para a vida. Ora, vejamos, é possível imaginar a vida sem o amor? Pois, infelizmente, ainda existe quem ache que sim! Acredito que seja apenas a negação da sua existência por mera cegueira. Eu que diga! Mas, com certeza o amor é aquele ingrediente que faz a diferença na vida. Vou citar William Shakespeare para exemplificar: "Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia." Não pode haver inteligência e saúde espiritual em quem não ama. É no amor que conseguimos amadurecer, de tomar forma, de nos encontrarmos. Assim, o entendimento sobre a vida, sobre o mundo, é diferente para aqueles que os olham com a visão do amor. Trago outra citação que traduz esse entendimento: "Na raiz de quase todas as misérias materiais e, sobretudo, morais, está uma falta de amor, uma fome de afeição que não foi satisfeita." (Georges Arnold). Os estudiosos das áreas humanas entendem que o mundo se encaminha para uma quarta revolução, onde as expectativas e as esperanças são que o amor será capaz de criar uma nova sociedade mais humana e solidária.

Por fim, para entendermos a premissa de que o Dia dos Namorados é uma importante comemoração, temos que concordar com uma concepção: estar enamorado é estar encantado, apaixonado, cheio de amor. A partir disso, podemos concluir que os casais que se amam são eternos namorados e, assim sendo, é uma data na qual tem que ser “ressuscitado” todo o encantamento, toda a paixão e todo o amor. Dessa forma, essa comemoração é importante para renovar as emoções, os sentimentos e afirmar seu amor ao parceiro. Isso não necessariamente deve ser feito na materialização de presentes deslumbrantes e maravilhosos, mas, com certeza, em atitudes, que, por simples e verdadeiras poderão demonstrar o seu amor. Convoco a todos os enamorados a abrirem seus corações e, através de muita atitude, dar provas de seu imenso amor.

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Jornalista responsável: Aline Wolff da Fontoura (MTB/RS 12.406)